Rinossinusite: não confunda a doença com outras complicações respiratórias

Rinossinusite: não confunda a doença com outras complicações respiratórias

Na linguagem médica, o sufixo -ite (do grego itis ou ite) indica doença ou inflamação do órgão ou da estrutura anatômica indicada no radical: bronquite, amidalite, pancreatite e etc. Quando o assunto são os “ites” da medicina, muitas dúvidas pairam na cabeça dos pacientes. Uma bastante recorrente diz respeito à rinossinusite, popularmente conhecida por sinusite, processo infecioso bacteriano que inflama as cavidades ao redor das vias nasais.

É comum as pessoas confundirem a doença com distúrbios como o resfriado, por exemplo, infecção respiratória que pode ser desencadeada por diversos tipos de vírus, ou com a gripe, causada pelo vírus influenza. Isto ocorre porque, via de regra, os sintomas são semelhantes: comprometimento da respiração, coriza, dores no corpo, prostração, mal estar, febre e cansaço.

Porém, é preciso ficar atento pois a rinossinusite possui estes e outros sinais mais específicos como: cefaleia, dor ou pressão facial, obstrução ou congestão nasal, secreção nasal purulenta, febre, halitose, dor dentária, otalgia ou pressão nos ouvidos, tosse, fadiga e dor na arcada dentária, entre outros.

A doutora Ana Paula Fiuza Funicello Dualibi explica que, sobretudo nas crianças, processos inflamatórios de vias aéreas podem ser bastante frequentes, ainda mais em condições favoráveis a eles, como épocas de temperaturas baixas. E, quando os pequenos são acometidos pela rinossinusite, os sintomas podem variar conforme a faixa etária e intensidade do quadro. “Crianças possuem uma pré-disposição devido à defesa imunológica imatura da idade. Em geral, adultos tendem a responder melhor a estas doenças”, detalha.

Rinossinusite x outras doenças

Embora os sintomas da rinossinusite possam ser parecidos com os de outras doenças, como gripes e resfriados, há diferenças na evolução delas e seu acometimento no organismo. Zumbido e tontura, por exemplo, podem ser sintomas de gripe, mas não necessariamente de

rinossinusite. Já dores nos seios da face que irradiam para áreas inferiores como pescoço, arcada dentária e mandíbula são sinais mais evidentes da doença. “É fundamental uma avaliação médica para se chegar ao diagnóstico correto. Vale lembrar também que é contraindicado o uso de medicamentos sem prescrição do especialista”, afirma a doutora Ana Paula. 

Não se pode confundir, por exemplo, rinossinusite com rinite, pois, enquanto a primeira se trata de um processo infecioso bacteriano, a rinite é diagnosticada pela inflamação da mucosa nasal. Os casos crônicos ou recorrentes são geralmente determinados pela rinite alérgica, induzida pela exposição a componentes que possuem maior probabilidade de causar alergias nas pessoas, entre eles ácaros da poeira domiciliar, barata, fungos, epitélio, urina e saliva de animais (cão e gato). Neste sentido, a rinite é um processo que pode desencadear uma complicação à rinossinusite.

Vai colocar uma meia, menino!

A especialista desmistifica o conceito popular de que “friagem” deixa a pessoa doente. Quem, na infância, nunca ouviu da mãe que era preciso proteger os pés do frio para não ficar doente? Na realidade, o inverno favorece a circulação de vírus como o da gripe, por exemplo, por isso o organismo tende a apresentar complicações.

“Ar seco e temperatura baixa são os grandes vilões de processos respiratórios. Sem contar o fato de que, no frio, as pessoas tendem a se aglomerar mais, principalmente em locais públicos e de grande circulação como estabelecimentos comerciais, terminais rodoviários, estações de metrô e etc. Essa aglomeração favorece muito a transmissão de viroses”, diz.

Já no calor a culpa recai sobre os aparelhos de climatização: uso excessivo de ar condicionado a temperaturas muito baixas pode ser bastante prejudicial à saúde. “Ar condicionado resseca o ar e favorece processos de descompensação respiratória. É preciso redobrar os cuidados também com higiene pessoal, assepsia e sanitização dos ambientes”, diz a doutora Ana Paula. 

Alergias e doenças crônicas como a asma também são vilões quando o assunto é rinossinusite e demais complicações. Já quadros virais abrem uma brecha para entrada de bactérias e outros patógenos, podendo evoluir para complicações mais sérias como a rinossinusite. “O patógeno prejudica o sistema imunológico e facilita a entrada de uma bactéria, por exemplo, porque inflama o tecido e o deixa vulnerável”, diz a médica.

A doutora Ana Paula Fiuza Funicello Dualibi é formada pela PUC-SP e possui título em Otorrinolaringologia e doutorado pela Unifesp – Universidade Federal de São Paulo.

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